Pacific Rim – crítica ao argumento

E um aviso, não coloquem um glossário no início do argumento. Se não conseguem levar o leitor a entender as idiossincrasias do universo ficcional que criaram ao longo da leitura, então estão a fazer batota e não estão a dar o vosso melhor para contar uma boa história.

É divertido em boa medida, mas convenientemente previsível e nada surpreendente. Trata-se de um trabalho mapeado à hollywood, todas as batidas sequenciais seguem o compasso certo, e infelizmente, chega a tornar-se aborrecido com um uso de formato e descrições monótonas. Deve surpreender e divertir, como já referi acima, para quem não conhece o género.

Se Cloverfield vos surpreendeu e se o estilo de Del Toro vos preenche, talvez gostem do que vêm aí. De resto, não passa de uma aventura épica com batidas pragmáticas, um filme de monstros gigantes à porrada com robots gigantes. É linear, tem boa noção de conflito e de ameaça séria, mas o enredo é típica formula batida.

Se não querem ver a vossa apreciação do filme arruinada por antes do tempo, não leiam o que segue aí em baixo.

E atenção que estão a ler uma crítica num blog que defende que a qualidade do argumento deve ser sempre assegurada se se procura obter um bom filme logo, na leitura do argumento, não se pode esperar que a realização salve uma estrutura mediana, personagens estereótipos, temas ocos e ação clássica.

Vamos falar de estrutura, e colocamos logo tudo em pratos limpos no que diz respeito à história. Aqui seguimos o rigor funcional da estrutura hollywoodesca, oito sequências, base aristotélica, passagem de tragédia, a comédia, a tragédia, a romance, a tragédia, a comédia, bla bla bla…Isto significa basicamente que o herói começa a sua história num lugar inóspito a que chama mundo normal, tem necessidade de mudar e é colocado num mundo especial, transforma-se e obtêm um “Santo Graal” que melhora a sua vida e a de todos os presentes, e neste caso significa salvar o mundo, e regressa ao mundo normal, transformando-o como consequência da sua transformação pessoal, colhendo as recompensas dessa mesma transformação ao obter não o que “quer”, mas o que “precisa”.

A aposta não está em apresentar uma estrutura que divirja da regra, visto que isso é geralmente questionado em Hollywood, exceto se o filme apostar violentamente em surpreender, muitas vezes seguindo uma não linearidade absurda e violenta. Aqui neste caso, como presumiram que o apelo de monstros gigantes e robots seria o suficiente, temos uma história bastante simples sobre dois protagonistas traumatizados por uma catástrofe pessoal causada pelos monstros, os chamados Kaiju, e que aprendendo a trabalhar em conjunto e a ultrapassarem as suas diferenças, encontram uma solução para salvar o planeta e curarem os seus próprios traumas.

Não podia ser mais simples, uma criança conseguiria esquematizar esta estrutura. Quando o filme começa, o herói está em baixo e considera o seu futuro como controlador de mechs completamente impossível. Lá é convencido a regressar à batalha, graças ao carrancudo mentor Pentecost, e tendo em conta que os robots tem que ser controlados por duas pessoas – uma para cada hemisfério do “cérebro” dos robots – o nosso herói, Raleigh, faz equipa com a amarga Mako, uma piloto novata que passou por um trauma semelhante ao seu: ambos perderam alguém no confronto contra os Kaiju.

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About ossosborea

Como nunca estive legalmente empregado, não posso dizer que estou a um passo do desemprego, mas só com o tempo livre presumido de alguém nesse estado poderia criar este espaço. Bem-vindos e demorem-se, espero que...

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