Pacific Rim – crítica ao argumento

Quanto a temas, o que o filme apresenta, é por sua vez é bastante romântico: a crença que o amor poderá ser o caminho para a felicidade. Sim, Pacific Rim só tem carga emocional, fora nos momentos em que os personagens estão sob o risco de serem esmagados ou devorados por mandíbulas gigantes dentadas e cortantes, quando a história lida com a descoberta de almas gemeas. É corajoso por seguir a lição férrea de Hollywood “Um filme nunca é sobre o que é”. Infelizmente, esse mesmo tema, a descoberta da nossa cara-metade, está lidado com uma faceta bastante linear e adolescente, e pedia-se que Raleigh e Mako tivessem um desafio maior em aproximarem-se um do outro do que simplesmente se aperceberem que ambos tem algo em comum, neste caso uma perda provocada pelos Kaiju. Há imensas mulheres que como eu já tiveram o pneu do carro furado e se partilhar isso com elas não posso esperar que se apaixonem por mim…ou posso?

Fora a piada barata, de facto os encadeamentos dramáticos estão um bocado deixados à superfície, nunca são muito aprofundados, apenas num momento que para mim, teria sido ideal de explorar, quando um outro casal de pilotos está à beira de morrer sob um ataque de um Kaiju de nível 5, os maiores e mais perigosos, e se considera que os dois pilotos preferem morrer juntos do que um continuar a viver sem o outro. Aqui a questão da existência de almas gémeas traduzindo o amor como simbiótico está bastante apetecível de ser explorada, mas infelizmente nunca é muito aprofundada fora a decisão dos protagonistas em lá praticarem a missão suicida em conjunto, decididos a morrerem juntos. Até Flick segue em frente ao conhecer novamente o amor na forma de Newt, um cientista nerd e bem intencionado que a ajuda a desvendar os mistérios dos Kaiju.

Só se pedia que numa história sobre a descoberta de amor se tivesse colocado maiores barreiras a alcançá-lo porque as histórias não são só feitas de mensagens, são feitas do desafio, do conflito que se tem que ultrapassar para se compreender a lição.

No que toca aos personagens, o problema mantêm-se o mesmo, não estão nus de motivação nem são vazios, mas ficam aquém de um verdadeiro trabalho de aprofundamento que os tornaria mais verídicos e ricos. É fácil de diferenciar pelo diálogo cada um dos personagens, o que já é um feito para os tornar distintos e reais, mas infelizmente caem demasiado em pressupostos de personagens clássicos, desde o herói perturbado, o interesse amoroso traumatizado, o mentor rezingão e o mentor corrompido para nos surpreenderem. Aceitam-se pelo que são, e infelizmente dada a regra hoje em dia, o que são é uma distração, não algo distinto do género.

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Percebem qual é o grande problema deste argumento até agora? Não é o ser mau ou fraco, é o ser comedido, prosaico. É o tomar a audiência como garantida, é o não procurar destacar-se dos preconceitos e expetativas baseadas no género. É o ser exatamente aquilo que esperamos, apenas robot contra monstros gigantes sem procurar contar uma história a sério.

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Como nunca estive legalmente empregado, não posso dizer que estou a um passo do desemprego, mas só com o tempo livre presumido de alguém nesse estado poderia criar este espaço. Bem-vindos e demorem-se, espero que...

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