Desafio Total e O Legado de Bourne formam o reino do entretenimento ligeiro

É um candeeiro reluzente, pendendo a altura suficiente para não cegar as massas e mesmo assim, baixo o suficiente para nos manter encantados com o seu brilho vazio. É puro movimento, ação bem coreografada e brilharetes visuais, jogadas de estilo e dinâmicas de montagem que está bem acoplada de enredo e personagens ridiculamente desinteressantes, mas cativantes na boa medida de nos preocuparmos em vermos os seus corpos em movimento. Relembrem-se do original de Verhoeven, fora o joguete de se questionar toda a aventura de Quaid e o espetáculo visual que para a época ofereceu uma aventura nunca representada com tanta vivacidade e audácia, o filme não oferece muito mais que puro e duro Hollywood a 5ª velocidade. Foi pioneiro no questionar a veracidade da própria aventura, daí o cheirinho a transcendência de género, a verdadeira discussão dos princípios da ciência em torno da existência humana. Não passam de balelas disfarçadas porque o filme nunca aprofunda dramáticamente, com audácia adulta, a questão da experimentalização metafísica e percepção existencial exceto na enigmática cena em que Quaid é confrontado pela mulher e um doutor especializado em crises existenciais e aprisionamentos no subconsciente, e o problema é devidamente resolvido à porrada. No filme de Verhoeven, reconhece-se que sci-fi é tão válido ou mais para as narrativas abrangentes da viagem do herói como a mais pura fantasia Grega, e não deve ser apaparicado apenas para um lugar de destaque na crítica como o género predefinido para fantasia adulta. É um estilo, como qualquer outro, que se torna muito mais abrangente quanto menos atenção se der ao drama e mais se der ao espetáculo. A ação, drama, personagens, trama, é puramente pulp, B, ligeira, e o mesmo aconteceu com o remake, escolhendo apenas enaltecer a viagem dramática do protagonista…que sinceramente, é plácidamente ridículo no clássico de Verhoeven…em vez do MacGuffin da odisseia pelo lugar dos sonhos.

A postura assumida pela versão de Wiseman, sem o apelo do maiores de 18, mas com maior controlo de câmara e efeitos mais ambiciosos que possam garantir um espetáculo a par com os rigores contemporâneos de diversão, é apenas uma versão mais direccionada para um público de entretenimento do que uma audiência de culto.

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Como nunca estive legalmente empregado, não posso dizer que estou a um passo do desemprego, mas só com o tempo livre presumido de alguém nesse estado poderia criar este espaço. Bem-vindos e demorem-se, espero que...

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