“Take Shelter”

Quando terminei Histórias de Caçadeira pela primeira vez, desejei no fundo que Jeff Nichols, que se mostrou notório nesse filme como um realizador que sabe gerir parcos recursos e oferecia uma realização bastante franca, mas não menos mágica, não parasse de trazer a sua visão para o cinema.

Não detinha um conhecimento profundo da vaga indie americana em meados da primeira década do século, mas movido pelo meu estudo tardio de John Cassavettes e as suas influências, vim parar a Nichols com bastante ingenuidade. Os dois não poderiam estar mais distantes um do outro em termos de estilo e temáticas, e ainda bem para mim.
A sua primeira obra conquistou-me como eu não esperava, com um universo nada ilusório, mas ainda sim transcendente, de conflitos quase tribais de famílias que habitavam na América pouco conhecida, a América que ainda tem magia, longe das metrópoles, onde o povo e a natureza estão de igual para igual. Aqui, costumes modestos, famílias avulsas, rixas em nome de sangue e honra e crucifixos, sejam de que quer ou formato, são a norma, e aceitei isso. Aceitei-o como um universo modesto mas igualmente fantástico que Nichols se mostrou expedito a trabalhar.

O meu receio quanto a Take Shelter, seria que a notória confiança no talento de Nichols o tornasse demasiado consciente da sua força. Medo que Michael Shannon fosse novamente o seu protagonista e deixasse as expetativas convertê-lo a uma atitude mais comodista e pragmática enquanto ator. Tinha medo que depois da explosão que foi o seu primeiro filme, se espalhasse por completo com a segunda entrega. O medo, a desconfiança, tomou conta de mim.

Não esperava verificar isto. É de louvar como Nichols conseguiu crescer enquanto realizador, sem trair o seu estilo, sem o tornar cansativo, e mesmo assim conseguindo num universo tão semelhante do working man’s american gothic apresentar uma história original, e tão tocante.

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Como nunca estive legalmente empregado, não posso dizer que estou a um passo do desemprego, mas só com o tempo livre presumido de alguém nesse estado poderia criar este espaço. Bem-vindos e demorem-se, espero que...

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