3, de Tom Tykwer

Não estou a defender nenhuma das vias ou escolha sexual, estou simplesmente a bater palmas a Tykwer por ilustrar tão bem que a felicidade é tão melhor quando é fruto da liberdade, e que essa liberdade nunca será permitida existir neste chamado contexto evoluído pós-moderno: tanto que o filme termina com uma conclusão de experiência proveta de laboratório. É irreal e trágico, que os nossos olhos e a nossa mente consequentemente possa aceitar a plausibilidade da liberdade honesta, livre de inveja e ruindade, mas não negue que a coragem para a levar a cabo estará sempre condicionada pelo nosso nível de alerta social.

Tykwer bem determina nas várias discussões científicas e antropológicas da protagonista que não se pode controlar o nascimento das espécies e a sua integração sexual na sociedade, e nunca sem perder o bom-humor de apontar o ridículo do subterfúgio controlador de “relações só podem existir a par”.

Mas não se preocupem que o filme não é só um postulado, é tão mais importante como uma comédia-romântica sobre os percalços de se atingir a felicidade e a realização de encontrar o amor, momento inesquecível na vida de qualquer humano. Aliás não fosse o seu efeito, tal como no filme, devorador, e fruto de nos deixar incapacitados e dependentes.

Tudo o que encontrei foi o que me fora oferecido, uma resposta para ser feliz, e se isso envolve um parceiro ou dois, lembro-me das palavras do bom cientista “Estás apenas a seguir um postulado biológico imposto pela sociedade, não pela natureza”. Lembrem-se, a liberdade é o verdadeiro dogma.

Infelizmente, o único problema deste filme é terminar, mas teria que ser, pois nunca deixará de ser um filme, com ideias, temas, mensagens e imagens cáusticas que por muito que as defendamos e preguemos, não deixarão de ser criadas, não surgirem naturalmente. E no entanto, falam sobre o regresso à felicidade, logo se num objecto composto e artificial pode existir essa consciência, talvez também exista em nós, uma criatura tão natural quanto as outras e acima de tudo, mais natural que os seus reflexos no grande ecrã.

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Como nunca estive legalmente empregado, não posso dizer que estou a um passo do desemprego, mas só com o tempo livre presumido de alguém nesse estado poderia criar este espaço. Bem-vindos e demorem-se, espero que...

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