Archive | Setembro 2012

“Sempre a Abrir”

Desorientado e com alta cilindrada…

Faz parte da obrigação de um crítico saber a que público se dirige quando trabalha o texto de apreciação de um filme, para fornecer uma análise que ajude à escolha e compreensão do próprio filme. Sabendo bem a que público me dirijo com esta crítica, devo dizer que não estou bem preparado para vos ajudar…não sei como catalogar este filme sem sacrificar ou o meu lado de crítico académico, ou o meu lado de crítico humano….
Não se deixem levar por essa abertura, não considerei o filme um pedaço de lixo coalhado, antes pelo contrário: goza de uma apreciação ingênua da minha parte, tudo porque há um pedaço de mim romântico que acredita na entrega a uma obra – de arte ou como muitos outros lhe chamariam, de masturbação – com o simples propósito de amar tanto o objeto da obra, como o género, o recetor, etc.
Sempre A Abrir é um bom esforço de baixo orçamento que, se não consegue equiparar-se à mestria de exemplos contemporâneos idênticos como The Raid ou Marthy Marcy May Marlene, possui algo que o destaca dos comuns “esforços desesperados”, não se leva a sério. Sim tem drama, comédia, é uma obra que usa uma musa verdadeira na presença de Kristen Bell e homenageia um velho e esquecido género de ação/perseguição dos anos 70, mas nunca acreditamos estar diante de um filme que aspira a mais do que aquilo que consegue entregar: uma divertida e honesta carta de amor. No entanto, essa mesma carta goza de uma escrita pouco convincente e uma caligrafia bruta.

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“Selvagens”

Em Selvagens, Oliver Stone apregoa, como é costumário, uma abundância de temas, sem desejo de se focar num só objeto. Aqui o amor pode ser selvagem, e tanto mais o é que não é derrubado pela crítica, inveja ou maldade…dizem eles.

Mais uma vez o realizador/argumentista se mostra expedito a lançar ao ar cenários e conflitos entusiasmantes, que propõem nada mais do que discussões sobre o insólito – que se note W, Wall Street 2 e anteriormente a isto tudo Any Given Sunday. Stone parece apreciar apenas atear fogos que não sabe apagar, mas que em vez de crescerem e assumirem proporções catastróficas ou divinas, desvanecem feito fumaça: Selvagens é lenha ardente que nunca chega a atear, apenas tolda a visão e ameaça grandes coisas, mas não oferece nada mais que terra queimada, sem vida, sem brilho, igual a tantos outros fogos esquecidos.

Foi um fogo que jogou com o nosso interesse, porque lá bonito e selvagem o filme parece ser, com uma cinematografia exótica e completamente a jeito do romantismo tóxico e venenoso do filme: contemplativo nos melhores momentos, apelativo nos piores, ninguém fica a perder. Até que me apercebi que todos ficamos a perder quando saimos da porta do cinema. Afinal o que passou em duas horas naquele ecrã? Fogo de artíficio, só isso.