Crítica “Skyfall”

Um personagem responsável por alguns dos melhores momentos da minha infância também foi responsável muitas vezes por quebrar o meu coração. Desde o espetacular Goldeneye, com alguns momentos de inspiração pelo meio (os dois primeiros filmes de Craig), que a saga me tinha deixado completamente desiludido. O que encontrei nesta abordagem de Sam Mendes, um realizador que se pouco me cativa narrativamente, sempre me encantou com a sua sensibilidade visual?

Uma fuga muito apreciada a uma degeneração pipoqueira da saga mais longa do cinema de ação. Não há cá planos inexplicavelmente malévolos, super-vilões, conglomerados do crime, ou novas ordens mundiais. O que há é um ex-agente rancoroso a tentar destruir o legado de M, a morte dos dias da espionagem. Um agente ultrapassado, alcoólico e chauvinista é o único no caminho para preservar os velhos costumes.

Skyfall é um filme legítimo de James Bond e muito mais. Aqui a história gira em torno de um herói muito mais trágico do que estamos habituados a ver (mesmo depois da morte de Vesper Lynd). Bond, um patriota sociopata e treinado para matar foi abandonado e deixado como morto às ordens de M, a sua comandante, que desespera cada vez mais ao encontrar-se na mira quer de um Governo burocrata que procura eliminar um conceito de serviços secretos que já não funciona num mundo globalizado, quer de um perigoso ex-agente rancoroso, o assustador Silva (Javier Bardem), a ovelha mais negra da família. Cabe a Bond, outra vítima dessa mãe distante e um ser estranho e ultrapassado neste mundo violentamente tecnológico, salvá-la das intempéries, senão em nome da pátria, em nome de si próprio. Por vezes os filhos têm dificuldade em dizer adeus, principalmente quando estão armados e treinados para matar.

A ação é violenta e bela, as Bond Girls cativantes, e o argumento sobrevive aos piores críticos tanto em termos de estrutura e alma.

Pode não ter a introspeção de Bourne ou o espetáculo elaborado de Missão Impossível, nem ser sequer o patamar mais elevado em termos de diversão, mas é o mais maduro deste panorama de filmes, verdadeiramente uma obra de cinema. Um 007 decididamente cuidado, um jogo de ação em torno de um personagem que se por vezes fraquejou em termos de complexidade ao longo dos anos, consagra-se neste filme como o definitivo agente secreto, e um marco no cinema naquele que poderá ser um retorno à idade adulta do género.

Skyfall é o melhor 007 de sempre.

Para quem procura uma análise mais prolongada e com algumas revelações…

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Como nunca estive legalmente empregado, não posso dizer que estou a um passo do desemprego, mas só com o tempo livre presumido de alguém nesse estado poderia criar este espaço. Bem-vindos e demorem-se, espero que...

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