Crítica “Skyfall”

Além disso, é um filme lindo, a cinematografia é brilhante e Sam Mendes, apesar de parecer estar algo descoordenado em termos de ritmo no início, revela-se um realizador mais que capaz, brilhante no modo como capta a ação sem malabarismos, mas graciosidade visual. No patamar decisivo da passagem para o segundo acto, como é típico da saga, Bond dá o primeiro “mergulho” nas maquinações do vilão, encontramos Craig numa perseguição Hitchcockiana que culmina num conflito sublime no centro de um cenário de luz, talvez um dos momentos mais belos de ação de toda a saga e uma perfeita correlação visual da sedução da morte neste negócio sujo de espionagem. “Lindo” é um eufemismo.

Decididamente o Bond mais belo da história, e também o que reúne as melhores interpretações. A Dama Judy Dench é a melhor Bond Girl do filme, mas quer Naomie Harris (Eve)ou Bérénice Marlohe (Severine) captam a nossa atenção, cada uma ao seu ritmo e com as suas belezas distintas. Fiquei chocado o pouco que acabam por ser exploradas, e claro está, eventualmente renegadas à tragédia, mortal ou amorosa. Mas este é um filme de Bond, e a felicidade nunca dura para sempre. Fiennes (Mallory) e Ben Whishaw (Q) estão muito bem inseridos na saga e são mais úteis do que se esperava, quer a lembrar a Bond que ele está à beira da reforma, quer a servirem de apoio.

E onde estão os fundamentais? Craig e Bardem. Estes procuram constantemente roubar a ribalta um ao outro, mas é de reconhecer que Bardem é a interpretação mais cativante do filme, e um perfecionista na maneira como exprime uma vilania tão macabra e ao mesmo tempo sofrida.

Quanto ao principal, há que reservar um bater de palmas para um momento emocionalmente revelador no fim, de rivalizar o final trágico de Ao Serviço de Sua Majestade. Se Bond é mais que um lutador, um saco de carne e um trapezista, é Craig quem nos convence, pois trás para o ecrã uma humanidade contaminante como nunca esperávamos ver no agente mais pedante do Cinema.
É um Bond para adultos, que será apreciado por todos a seu tempo, como a peça legítima de cinema arte/entretenimento que é.

Bem-vindo de volta 007, estive duas décadas à tua espera.

Filipe Santos

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Como nunca estive legalmente empregado, não posso dizer que estou a um passo do desemprego, mas só com o tempo livre presumido de alguém nesse estado poderia criar este espaço. Bem-vindos e demorem-se, espero que...

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