Crítica “Breaking Dawn Part 2”

Se só agora estão agora a estranhar porque é que esta crítica não se revela muitas parcelas da história ou não vos apresento uma sinopse do conflito é porque a história é ridiculamente fugaz: Bella e Edward têm uma filha meio-vampira e humana, os vampiros maus querem matá-los todos devido a isso. Kristen Stewart tenta sorrir pelo meio e Robert Pattison luta contra o suicídio. Divirtam-se.
As interpretações (fora agradáveis exceções) variam entre o terrível e o adormecido; o climax como vos disse é um pontapé nos genitais; os diálogos são trágicos; a cinematografia amadora e os efeitos especiais são de segunda categoria; e por fim, o conflito, esse é quase inexistente e tão desenvolvido quanto o raciocínio de uma preguiça morta.


Breaking Dawn parte II é mestre sim em colocar os personagens secundários a dialogar por sussurros inclinados, em infetar todas as cenas com campos contra campos silenciosos, montagem de televisão e um rigor dramático que faz farinha de “grandes clássicos” como Vamp ou Dark Shadows. Este filme não tem nada. É masturbação para os fãs do livro e um assalto aos sentidos e à inteligência, a todo o outro público.
Talvez esteja a ser demasiado severo, mas não consegui suportar a ideia de acompanhar uma história tão assumidamente anti-humana que tem especial prazer de se enaltecer e dar pancadinhas nas costas por repudiar o ideal de humanidade que a civilização em que vivemos conseguiu depurar ao longo de milénios: todos os personagens principais são criaturas de ficção com obrigações trágicas e penosas (os vampiros tem que beber sangue e são imortais, os lobisomens tem dificuldade em controlar a besta e, sei lá, estão condenados a amar uma única pessoa em todas as suas vidas depois de fazerem o “imprint” – ritual instantâneo e incontrolável que os faz apaixonarem-se por uma fêmea desconhecida), mas nem uma única vez neste filme, exceto quando se presume que a jovem Renesmee (filha dos protagonistas) irá envelhecer demasiado rápido e falecer antes do tempo, se mede o peso negativo destas “dádivas” sobrenaturais.
Não, a Sra Stephanie Meyer ( escritora dos livros, infelizmente) e a argumentista Melissa Rosenberg entendem que uma história destinada a adolescentes deve ser descaradamente apologista de uma transformação que revogue qualquer traços de humanidade aos indivíduos, emocional e fisicamente.
Eu adoro filmes de vampiros, lobisomens, cinema de género em geral. Adoro até quando os protagonistas são essas mesmas criaturas lendárias. Só não aprecio, como público e escritor, quando me apresentam uma história parcial, que nega inteiramente o conceito de humanidade e serve apenas para alimentar sonhos adolescentes de transformação e abandono da realidade. Temo que seja danoso e destruidor para gerações vindouras.
Em tempos, até os filmes apontados a crianças ou adolescentes eram compostos com alguma autoridade ética de elevação racional e maturidade. Meyer fez questão de espetar uma estaca no coração desse conceito.

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Como nunca estive legalmente empregado, não posso dizer que estou a um passo do desemprego, mas só com o tempo livre presumido de alguém nesse estado poderia criar este espaço. Bem-vindos e demorem-se, espero que...

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