Crítica “Breaking Dawn Part 2”

Mais infeliz ainda é o facto deste horrível exemplo de cinema conter alguns elementos atrativos. Falo dos poucos atores que dão o seu melhor e realmente conseguem ser cativantes no ecrã. Michael Sheen como o mórbido vilão Aro, que mesmo assim é muito mal aproveitado na batalha final; da dupla de vampiros transilvanos Stefan (Guri Weinberg) e Vladimir (Noel Fisher), tal como o controlador de elementos Benjamim (Rami Malek) e o cínico Alistair (Joe Anderson). Estes sãos os melhores atores do filme e ajudam a suportar a dor que é tentar acompanhar a narrativa, particularmente a dupla Transilvânia Express, presos nos anos 80 com as suas indumentárias de cabedal, uma aura goth-punk e sotaques carregados das estepes. São duas personagens motivadas por vingança contra os Volturi, e nos dois minutos que demoram a contar a sua história em torno da lareira, apercebi-me que um filme dedicado a estes dois infelizes seria muito mais completo, interessante e pejado de conflito do que a inexplicável relação entre Bella e Edward.


Anda mais perturbador se torna perceber que uns quantos bons atores trouxeram o seu melhor para o décor, trabalharam ao máximo para atribuir algum pingo de legitimidade a este material pobre, e acabam por cair vítimas de uma hegemonia de mau gosto e preguiça.
No fim do filme, peguei na minha mente, para que pudesse acompanhar o meu corpo para fora da sala e não permanecesse na poça tépida e musgosa que era a minha autoestima, e dediquei um dia inteiro à sua recuperação da violação a que fora sujeita. Lanço desde já um desafio aos leitores desta crítica: expliquem-me qual o motivo factual que suporta toda a relação entre Edward e Bella. O que é que os atrai um ao outro? É que apercebi-me disto estando a saga concluída: eu não sei porque é que estas duas criaturas sentem qualquer atração uma pela outra. Eles não fazem nada, não dizem nada de útil, não contribuem com nada ou afetam o mundo de forma alguma.
São em suma, servos perfeitos da história a que pertencem: objetos frios, sem alma e sem nada a oferecer.

Filipe Santos

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Como nunca estive legalmente empregado, não posso dizer que estou a um passo do desemprego, mas só com o tempo livre presumido de alguém nesse estado poderia criar este espaço. Bem-vindos e demorem-se, espero que...

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