Archive | Dezembro 2012

Crítica “Snake In The Eagle’s Shadow”

Ataque da língua bífurcada

Ataque da língua bifurcada

Foi enternecedor para este humilde crítico visitar pela primeira vez um clássico do género de artes marciais saído de Hong Kong, neste caso SNAKE IN THE EAGLE’S SHADOW, de Yuen Woo Ping, o primeiro filme do realizador veterano e uma porta de lançamento para a estrela mundial até então um completo desconhecido, Jackie Chan.
O filme é um falhanço como narrativa cinematográfica, mas um glorioso trofeu do cinema de artes marciais em que se encaixa e pioneiro para a narrativa adolescente que viria a inspirar grandes clássicos homéricos dos anos 80 como The Karate Kid ou The Last Dragon. Infelizmente, Ping não é um realizador com sensibilidade narrativa antes, muito mais emotivo do que posso considerar positivo, visto sufocar muitas vezes os momentos de progressão dramática com adereços maniqueístas e angústias adolescentes em detrimento de desenvolver quaisquer personagens interessantes.
A narrativa, se é que pode ser assim chamada e vou tentar embelezá-la para não vos deixar a chorar, apresenta-nos a Chien Fu (Chan), um pupilo sem jeito e contínuo numa academia de artes marciais de segunda categoria que após anos a ser espezinhado pelos mestres (uma dupla humorística…aparentemente), forma amizade com Cheng-Tien (Siu Tien Yuen), um estranho mendigo mestre do estilo da Cobra que se encontra em fuga do ambicioso Lorde Sheng Kuan (Jang Lee Hwang), o perigoso rival e mestre do estilo Águia. Ao aprender a arte da Cobra através da sua amizade com Cheng-Tien, o jovem Fu torna-se um lutador letal e dá por si arrastado para este conflito entre as duas escolas. Para salvar a vida do seu mestre, terá que no entanto desenvolver o seu próprio estilo, enquanto descobre pela primeira vez o valor da amizade…dizem eles.
Pronto, o tempo que demorou a ler esta premissa corresponde ao tempo gasto no filme em verdadeiros desenvolvimentos dramáticos. Interpretem isso como preferirem, podem não estar à procura de uma obra complexa ou de um drama de artes marciais.

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Crítica “Matá-los Suavemente”

O Homem de Preto

O Homem de Preto

Que muitos filmes chegassem às salas com a qualidade que Matá-los Suavemente trás. Depois de acompanhar o processo de produção do filme como qualquer outro fã de Andrew Dominik, estava com boas expetativas em relação ao que se avizinhava. O Assassinato de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford foi um trabalho aquém da mestria do realizador, o génio por detrás de Chopper, mas a minha confiança na sua capacidade permaneceu ferrenha.
Até que a crítica estrangeira deu a sua opinião. Este retrato sórdido, imparcial e fatalista do realizador Australiano, produzido por Brad Pitt, seria bom, está certo, mas a sua determinação em ignorar pressupostos de redenção ou arcos de personagem faria deste seu último filme uma obra demasiado “distante” e “severa” para ser aceite pela generalidade.
Posto isso, influenciável como sou fiquei com medo de não passar o melhor bocado possível no cinema. Depois de uma sessão em que fui ameaçado de ser expulso por comer na sala decidi voltar a ver o filme uma segunda vez, para forçar a minha mente a encarar esta obra como algo de diferente ao que tinha testemunhado. Quis obrigar-me a mim próprio a interpretar o filme como algo que não uma obra de arte. Este não poderia ser o melhor filme do ano. Esta produção humilde, adaptação quase linear e escassamente ambiciosa, com um elitismo temático e completa desconsideração pelo público não poderia roubar os louros de EXCELENTE a outras obras prometidas.
Antes fosse que todos os outros indie’s modestos que nos chegam de mansinho pudessem ter a sua qualidade.