Crítica “Snake In The Eagle’s Shadow”

Snake é um produto dessa ingenuidade, a sua pelicula gasta, o seu conflito sem definição. História fugaz, narrativa descuidada, comédia limitada culturalmente e coreografia ultrapassada fazem deste filme um exemplo histórico do obsoleto. Apreciado só mesmo por fãs acérrimos.

Sim é divertido e deixará as crianças e os que desconhecem o género possivelmente maravilhados. Fu é sem dúvida uma influência forte no conceito do “pupilo perene”, o franganote que pode ascender aos céus e tal nunca foi danoso para a juventude em busca de um escape.

Não vos servirá de nada ver este filme se não tiverem paciência para as inúmeras sequências de treino de Fu (que realmente deixaram-me impressionado, senão com a coreografia inútil do estilo, com a capacidade atlética de Chan), os combates e amostras de técnicas entre perfeitos estranhos e as trocas dialogadas sem qualquer propósito, servindo apenas de desculpa para um desferimento de “porrada” entre, mais uma vez, estranhos.

Boa parte dos desenrolares dramáticos deste filme envolvem noodles

Boa parte dos desenrolares dramáticos deste filme envolvem noodles

No entanto, para quem aprecia o Cinema como escape, como fonte de entretenimento, e aprecia acima de tudo a audácia e coração por detrás de qualquer obra, poderá reconhecer o valor na tentativa de fazer de Snake In The Eagle’s Shadow um clássico. O título pelo menos não desaponta.

Apesar de tudo isso, o filme pode fugir muito da simples narrativa que quer contar, uma história de aprendizagem entre pupilo e mestre, para dar atenção quer às sequências de slapstick dos mestres de Fu ou ao congeminar de um plano inútil pela parte de Lorde Shen, mas quando consegue apanhar Fu e Chien sozinhos, permite que os dois personagens respirem e evoluam em torno um do outro, como a amizade assim o pede. Não é perfeito, esse percurso, mas mesmo amador, tem uma carga emocional poderosa o suficiente para nos prender.

Mesmo assim, poderia ser completamente descartado muito do tempo gasto com enredos irrelevantes, como as rivalidades entre a escola dos mestres falhados de Fu e uma escola vizinha, ou o personagem de um padre ocidental assassino que parece estar de serviço apenas para ser enxovalhado. Pedia-se que não se tivesse dado privilégio às coreografias, mas sim encontrado um equilíbrio entre diversão e história, através de uma estrutura mais coerente e, substancial.

O produto final, infelizmente, é um produto da época e de Hong Kong como fábrica do cinema na altura: um ballet de violência ligeira e malabarismos sem limite, que em muito prezaram o valor do corpo e da ambição física, elevando a arte marcial a um lugar de sofisticação comercial, mas acaba por não ser mais que um objeto ingénuo como narrativa.

Fu bem que poderia passar mais tempo a tentar perceber o que se esconde por detrás de um homem imitar uma cobra para aprender a sobreviver, e porque é que teve que bater bem fundo e dar por si por baixo da sombra da águia para encontrar uma razão de viver. Mas não havia tempo para isso, apenas para a pancadaria.

Um clássico ultrapassado que não deve ser esquecido mas não precisa necessariamente de ser celebrado.

Filipe Santos

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