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Centipede Hz

Mesmo não conseguindo atingir o grau de composição de Feels ou Merriweather Post-Pavillion, Centipede Hz, último álbum da banda norte americana Animal Collective, consegue apresentar excelentes momentos e um ambiente peculiar, que peca pela falta de variedade. Centipede Hz funciona como um programa de rádio, unindo as músicas com interlúdios cheios de ruídos ou mesclas de outras canções. O ambiente é sólido e existe uma ideia permanente ao longo das 11 músicas presentes no álbum. O novo trabalho dos Animal Collective jorra nostalgia, como se estivesse a antever o final de uma era e a banda ponderasse o seu próprio futuro. “Será esta a nossa sonoridade? Para onde podemos evoluir? Será necessário essa passagem?”, são perguntas que ecoaram à medida que viajava por Centipede Hz. Há uma necessidade de mudança, de exploração, e com o final deste álbum, acredito que a banda se vá reinventar.

Levaram a fórmula mais acessível, construída desde Strawberry Jam (2007) e forçaram-na a novos níveis, resultando em músicas cruas, cheias de energia, mas ao mesmo tempo repetitivas e sem uma procura por inovação. Centipede Hz é muito bom quando consegue encontrar um meio-termo para todos os seus elementos, mas apresenta também alguns dos pontos mais baixos da banda desde o seu começo. Acaba por ser um álbum com uma estrutura quebrada, mas cuja mensagem consegue complementar as suas falhas.

Centipede Hz é um bom álbum, com muitos elementos para explorar e assimilar à medida que o visitam várias vezes. Tenho apenas pena que a originalidade e criatividade da banda não sejam tão proeminentes em Centipede Hz e o torne num álbum sem surpresas. Contudo, como um todo, funciona e é um dos trabalhos mais deliciosos de 2012.

Today’s Supernatural, Applesauce, New Town Burnout e Monkey Riches são algumas das músicas que aconselho vivamente a ouvirem.
Wide Eyed, interpretada por Deakin (de regresso à banda), é o ponto baixo do álbum.

por João Canelo